Eu encontrei minha filha na floresta, quase sem vida. Ela sussurrou: “Foi minha sogra… ela disse que meu sangue era sujo!” Eu a levei para casa e mandei mensagem para o meu irmão: “É a nossa vez — hora de fazer o que o vovô nos ensinou!”
A única luz na floresta vinha do meu celular e do feixe fino da lanterna do meu irmão, Luke.
Parece dramático quando eu digo em voz alta, como algo de um filme, mas era apenas a zona rural da Pensilvânia em outubro — escurece cedo, a neblina baixa se espalhando, as agulhas de pinheiro abafando o som até seus próprios passos parecerem distantes. O ar tinha gosto frio e metálico. A névoa se agarrava aos troncos como se pertencesse a eles. Em algum ponto mais fundo na mata, uma coruja piou uma vez e depois silenciou.
Eu sou Evelyn Harper. Branca. Trinta anos no mesmo condado. O tipo de mãe que as pessoas esperam que se preocupe demais, faça comida demais para os outros e acene nas reuniões do conselho escolar. Mas a forma como minha garganta queimava e minhas mãos tremiam naquela noite não tinha nada a ver com a personalidade que meus vizinhos atribuíram a mim.
Tinha tudo a ver com o fato de que minha filha estava desaparecida.
“Hannah!”, eu gritei de novo, mesmo já gritando desde o pôr do sol. Minha voz tinha virado lixa horas antes, crua e fina, raspando na garganta como se eu estivesse engolindo cascalho. “Hannah, querida!”
Luke estava alguns metros à frente, varrendo o chão com a lanterna. Ele é três anos mais novo que eu, forte como alguém que trabalha na construção e silencioso como um homem que aprendeu que pânico não resolve nada. Tinha vindo direto do trabalho — botas sujas, moletom, terra presa nas costuras do jeans. O tipo de homem que levanta uma máquina de lavar sozinho e ainda pergunta se você precisa de ajuda para carregar as compras.
Ele não desperdiçava palavras.